Para além das dúvidas, polêmicas e detalhes revoltantes que foram trazidos à tona pela operação “Carne Fraca” da Polícia Federal, que investiga casos de corrupção nas maiores empresas de carne no país, nós conseguimos enxergar algo de bom nessa história: chamou atenção dos consumidores para a qualidade do produto que estão consumindo. Além disso, deixou muita gente questionando seus próprios hábitos e considerando diminuir a quantidade de carne ingerida, como propõe a campanha Segunda Sem Carne.

E você sabe porque reduzir o consumo de carne é desejável, na nossa opinião? Sem entrar nas convicções dos vegetarianos e veganos sobre o consumo de carne de animais, todo o processo de produção da carne, desde a criação ao abate, consome muitos recursos naturais, como solo e água, e impacta também na produção de gás metano, que resulta da digestão do animal e é o maior responsável pelo efeito estufa. Para se ter uma ideia, são necessários mais de 15 mil litros de água para se produzir 1kg de carne bovina e outros 6 mil para cada 1kg de carne suína. Saiba mais aqui. Outro detalhe importante é a nossa saúde mesmo, já que os animais recebem cada vez mais antibióticos. Ou seja, estamos falando de impactos nos seres humanos, no meio ambiente e também na qualidade de vida dos próprios animais.

É o mesmo raciocínio em relação ao que sempre falamos sobre as vantagens de consumir frutas, verduras e legumes orgânicos. No sistema de produção orgânico, os alimentos crescem respeitando seus ciclos naturais, sem receber agrotóxicos, fertilizantes químicos ou qualquer outra substância sintética. Já existem empresas sérias que também seguem essas regras com carne de animais. Assim, além do bem-estar animal ser levado à sério, na pecuária orgânica não se usa nem antibióticos, nem alopatia, nem ureia. Os animais são criados de modo extensivo (soltos) e alimentados com capim a maior parte da vida. Sua alimentação, nos últimos meses antes do abate, é complementada com grãos orgânicos. Saiba mais aqui:

A grande questão é que não é possível que todo mundo consuma uma carne produzida num sistema assim, pois precisaríamos de muito, mais muito mais pasto. É por isso que na pecuária tradicional os animais são confinados e espremidos em pequenos espaços, entre outros detalhes.  Não há espaço físico em nosso planeta para os animais serem criados soltos e alimentarem toda a população. Assim, a solução que apoiamos é reduzir o consumo de carne e, quando for consumir, escolher um produto de boa qualidade e procedência.

Passando para as implicações nutricionais da escolha por reduzir o consumo de carne, trazemos aqui algumas ideias de outros alimentos ricos em proteína, substância essencial para o funcionamento estrutural do organismo.

É possível atingir a necessidade recomendada de proteínas sem ingerir as de origem animal pois a vegetal é bem completa. Alguns alimentos podem conter um teor baixo de um ou outro aminoácido, mas a combinação dos alimentos de grupos diferentes fornece todos os aminoácidos. O tradicional arroz com feijão, por exemplo, é considerada uma combinação completa do ponto de vista nutricional.

Em geral, basta trocar 100g de carne por uma concha de leguminosas (feijões, ervilha, lentilha, grão de bico…).  Veja na tabela a abaixo:

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Saiba mais detalhes sobre a alimentação baseada em vegetais aqui 

E leia o Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para adultos aqui.

Abaixo mais alimentos vegetais que são ricos em proteína:

Abacate
Espinafre
Brócolis
Cogumelos
Pistache
Amêndoas
Castanha de Caju
Quinua
Aveia crua em flocos
Lentilha
Grão de Bico
Tofu
Feijão fradinho
Feijão carioca
Feijão preto
Gergelim
Semente de girassol
Nozes
Edamame
Cacau em pó sem açúcar
Spirulina
Trigo Sarraceno
Arroz Integral

É bom lembrar que estes alimentos não são constituídos apenas por proteínas, mas também carboidratos, gorduras e etc. E as proteínas de alimentos vegetais diferentes não precisam ser consumidas todos na mesma refeição. É mais importante ser consumido ao longo do dia. A qualidade da proteína vegetal depende da fonte ou da sua combinação, elas podem ser iguais ou melhores do que as proteínas animais.

A recomendação de ingestão diária de proteína varia de pessoa para pessoa e em geral é calculada pelo peso: 1g de proteína para cada quilo. Portanto, uma pessoa que pesa 50Kg deve consumir 50g de proteína todos os dias. Mas é sempre bom consultar um especialista em saúde para fazer um acompanhamento pessoal e responsável, certo?

(Fontes: Gastrolândia, Sociedade Brasileira Vegetariana, Le Manjue, TV Globo, UOL, Estadão)